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Riqueza sem par·

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Victor da Rosa em seu blog:

http://victordarosa.blogspot.com.br/2012/10/riqueza-sem-par.html

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Na semana passada, como todo mundo já sabe – menos o treinador do Figueirense, por estar preocupado com outras questões – saiu uma reportagem no jornal O Globo, reproduzida depois no DC, que causou um enorme rebuliço tanto nas redes sociais quanto no fundo do coração das pessoas. Com o título “Os sem-lancha da cidade classe A”, a reportagem trata da falta de marinas em Florianópolis e, para isso, naturalmente, conta com breves depoimentos de alguns ricos que vivem na cidade, como é o caso de Mané Ferrari e seus amigos. E a primeira graça da história já está aí: encontrar um rico em Florianópolis que se chama justamente Mané Ferrari.

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Na verdade, fora um excesso de confiança nos números, que acaba pintando um retrato de Florianópolis como uma cidade cheia da grana, e alguns erros de avaliação do repórter, quando afirma, por exemplo, que a ilha cresceu de maneira ordenada, preservando suas riquezas naturais, estou de acordo com a minoria das opiniões: a reportagem é boa. A maioria das pessoas, por outro lado, acabou ficando meio revoltada porque a reportagem fala de uma cidade que não existe, coisas assim, etc. Desse mal não sofro. Acho que os ricos também têm seus direitos, seus dramas, seus pesadelos, enfim, suas “demandas reprimidas”. A falta de marinas, agora sabemos, é uma delas.

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Na opinião deste cronista que acha graça em quase tudo na vida, menos nas grandes guerras mundiais e em bullying com gordinhos, a reportagem virou hit por dois motivos: primeiro por ser engraçada; e segundo por ser verdadeira. A reportagem é verdadeira porque consegue mostrar exatamente o que grande parte dos ricos da cidade pensa a respeito da vida. E é engraçada pelos mesmos motivos. Afinal, o rico de Florianópolis vai se tornando um personagem típico, com características muito próprias e traços pitorescos. Vamos a alguns deles.

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Andrea Druck, diretora do Habitasul, empresa que construiu Jurerê Internacional, por exemplo, acredita que “o problema não é ser rico, o problema é ser pobre, pois a felicidade é pra ser vivida agora”, faltando apenas acrescentar que 1) pra morrer basta estar vivo, 2) em time que está ganhando não se mexe e 3) a pressa é a inimiga da perfeição. Andrea também revela sua felicidade com o fato de que “Eike Batista é um dos principais ídolos da garotada”. Quanto a isso, francamente, não tenho nenhum comentário a fazer. Apenas sugiro a quem é pai, a quem se preocupa com a educação e o futuro da nação, que tenha uma conversa séria com o seu filho e, se for o caso, corte o videogame do garoto durante uma semana.

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Por outro lado, Marraiana Perez, a outra amiga de Mané Ferrari, que tem nome de cantora latina mas é rica também,  proprietária de uma loja de luxo em Jurerê, diz que não está tão feliz quanto Andrea, pois ela acredita que em Florianópolis “tem muita loja feia, coisa que parece favelinha, parece de interior”. Daí o leitor pensa: quais seriam as referências culturais desta senhora? Grands Boulevards? Giacomo Puccini? Marcel Proust? Christian Dior? Não. Marraiana fala que chique é “tudo branco e dourado, Beverly Hills”. Branco e dourado tem muito é no Reveillon da Gente.

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Por fim, já que há tanta gente rica e sedenta por aventuras em alto-mar vivendo na ilha que se convencionou chamar da magia – a reportagem diz que “quase metade da população está no topo da pirâmide de renda” – por que não imaginar uma grande embarcação dourada, um Titanic louco cheio de apetrechos dentro (um sex shop de luxo, uma filial do P12 com o filho do Eike Batista de DJ, canários de 20 mil, chuva de dinheiro, marinas com refletores, enfim, o diabo) onde Mané Ferrari e os seus amigos poderiam navegar durante toda a vida? Como no filme, a história tem tudo pra acabar bem.

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e no Blog de Victor da Rosa:

 http://victordarosa.blogspot.com.br/2012/10/riqueza-sem-par.html

 

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