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O anestesiado atendimento nos Postos de Saúde
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Shirlei Chaves
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De tempos em tempos eu gosto de fazer uma pequena incursão ao que se esperaria ser uma atividade normal de um cidadão brasileiro, amparado e amparador da Constituição. Peguei minha receita e fui ao posto de saúde mais próximo, no caso o da Trindade. Chegando lá, sou recepcionada com vassoura nos pés pela senhora da limpeza. Me pergunto se ela está tão anestesiada pelo entra e sai de pessoas, que são apenas mais uma sujeira a ser limpada assim que aparece ou se, numa divagação mais ampla e conspiratória, tem alguma orientação para que o cidadão se sinta indesejado e, quem sabe, dê a volta.
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Após esperar o atendimento da farmácia, o que até foi bem rápido (talvez os cidadãos façam cada vez menos incursões para evitar frustrações), a recepcionista olha por cima a minha receita e diz que não tem a medicação ( sério?). No entanto, ela em momento algum levanta os olhos para me olhar. De novo, não sei se é o anestesiamento da rotina, ou se é um misto de vergonha com decepção, por ter que dizer que a medicação não está disponível. Sinto que tenho um pouco de culpa nisso, ou talvez muita.
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Recentemente com as eleições municipais, confesso que não fazia a menor ideia de em quem votar, mal sabia quem eram os candidatos. O que me intrigou foi pegar de relance uma propaganda na qual o candidato que acabou sendo eleito prometia motoboys para entrega de medicamentos contínuos na casa das pessoas que precisavam do serviço. Acho que daí surgiu a curiosidade de ir no posto, coisa que não faço a bastante tempo, pois não me lembro de já ter conseguido alguma medicação lá, além de sair de lá necessitando de mais um, para a frustração e raiva.
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Me pergunto se talvez não seria o caso de se prometer ter remédios a serem distribuídos. Ou, registrar os pedidos de medicamentos que foram pedidos e não estavam disponíveis e divulgar essa informação à população. Quem sabe descobriríamos que a cada 100 solicitações 1 é atendida (ou talvez eu esteja sendo otimista). Ou, quem sabe, realmente vivamos numa cidade em que se acredita que todo mundo é rico e quem não é deve deixá-la.

Publicado em  31.10.2012,  às 10:31 hs  no
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