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Mensagem para Srª Andrea Druck,
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Tomo a liberdade de lhe escrever, e peço que me permita, visto que vi seu nome na reportagem abaixo:

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http://oglobo.globo.com/economia/os-sem-lancha-da-cidade-classe-a-6398816

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Me apresento: sou um Manezinho

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   Concordo com você, Andréa Druck. A riqueza, a prosperidade, o conforto, a vida farta e boa é a meta de todos nós e é assim mesmo que deve ser. Devemos buscar a riqueza, sem nenhuma culpa. Acho isso verdadeiramente. Mesmo porque sou rico e próspero e gosto muito de tudo que o dinheiro me proporciona.

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Seria muito bom se tivéssemos aqui em Florianópolis uma infinidade de bairros de alto luxo. Bom e bem. Seria bem, inclusive.

Mas, lugares desenvolvidos, prósperos e civilizados, em qualquer parte do planeta tem, junto e ao lado de bairros finos, serviços básicos de boa qualidade. Básicos quer dizer: escolas, saneamento básico em toda e qualquer ruela, hospitais bem montados, vida cultural, bons cinemas, bons teatros, bibliotecas. “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”, não é mesmo?  É o que queremos em Florianópolis, antes de mais nada, antes de tudo. Só depois pensaríamos em Jurerês e Lanchas e Marinas, ou então que Lanchas e Marinas  venham junto com os serviços básicos para todos, e não antes.  Para isso pagamos impostos (exorbitantes).

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Aliás, qualquer pessoa civilizada quereria isso antes de tudo – serviços básicos. Mas, você sabe, nem toda pessoa rica é civilizada. Você que lida com empreendimentos de luxo já deve ter atendido aí na sua empresa pessoas ricas, porém mal educadas, sem elegância no comportamento. Por que nem sempre o enchimento de um traje elegante é uma pessoa elegante.

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Acho que você não nasceu aqui, não é mesmo? Eu nasci. Aqui nasceram também meus avós e meus pais, e também meus filhos e meus netos. Sou um manezinho legítimo. E sei do que minha cidade verdadeiramente precisa. E quero o melhor para minha cidade, por que eu, sim, amo esta cidade, do fundo do coração. Quero que todos os manezinhos como eu usufruam dela com serviços decentes, não só os ricos. Acho que o dinheiro é maravilhoso, abençoado, desde que não seja acompanhado de deslumbramento, nem de ignorância. E um rico ignorante é a coisa mais desagradável que existe.

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Quem é que não gosta de boas roupas, bons vinhos, boa música, bons filmes, bons livros, quem é que não gosta de uma conversa inteligente com pessoas cultas e bem educadas? Quem não gosta de uma boa casa, confortável e acolhedora?  Eu adoro isso. E mais, eu tenho isso na minha vida. E estou lutando e torço para que todos tenham. E só depois é que o luxo será bem vindo. Mas depois.  E mais, luxo e elegância não são a mesma coisa, não são sinônimos.

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E acrescentando: Países ricos e civilizados não tem morros com favelas, nem gente miserável. Em países ou cidades civilizadas todos tem escolas, hospitais, esgotos, água tratada. Por isso são chamados “civilizados”.

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Uma cidade sem os tais esgotos, escolas, etc,  ”pensa” que é rica, mas não é.

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Uma pessoa rica sem consciência social, “pensa” que é rica, mas não é. É um toco enfeitado, nada mais.

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Para finalizar, envio a você um link interessante sobre elegância:

http://pensador.uol.com.br/a_elegancia_do_comportamento/

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Atenciosamente,

Manezinho   (do Preservemos Floripa)

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11 Respostas to “.”

  1. Manoel said

    Parabens pelo texto! Reflete (ou deveria refletir) o pensamento da maioria das pessoas que enxergam Floripa como o lugar que sempre viveu (e quer continuar vivendo!) e não apenas num balneário pra tomar champagne e passear de lancha. Chega dessa especulação imobiliária que só beneficia as grandes construtoras e afasta os habitantes nativos.
    Vide o exemplo de Bal. Camburiú nos anos 90/2000 e a decadência que tomou conta de lá….

    • Grato pelo comentário, amigo. Temos que lutar, sim, por uma Florianópolis bonita, justa, bem tratada, mas principalmente humana. Que os manézinhos se sintam bem na sua cidade, que se sintam donos do seu próprio chão, sem arrogância. Os brasileiros de todos os lugares são bem vindos e sempre serão, desde que amem a nossa Floripa como nós amamos.

  2. Helman Telles said

    Texto muito bem construído. Deixa margem para poucos comentários sem risco de redundância. Atenção e percepção são ações que – nos dias de hoje, da “instantaneidade”, fácil consumismo, acriticidade e submissão ao descartável – caminham, a passos largos, para um estado de “hipotrofia”. Portanto, elogio à refinada acuidade revelada na escrita. Não sou “manézinho” e me considero um “cidadão do mundo”, consequentemente não me afino com ideologias xenófobas, bairristas e que busquem o isolacionismo cultural. Logo, procuro zelar com esmero por cada local que, circunstancialmente ou por opção própria, me sirva de morada. “Cuspir no prato que se come” parece ser uma especialidade humana. Assim, infelizmente, a referida prática, aplicada à esta cidade, não se restringe aos “de fora”. Antes, ao contrário do que poderia se supor, é exercida, com esmero, por muitos dos nativos, dos mais diferentes nichos sociais, econômicos ou educacionais. É impossível se “amar”, de fato, o local em que se vive, sem uma “consciência planetária”. Um sujeito alijado da mesma é dominado pela “visão de gafanhoto”. Busca apenas saciar suas “necessidades” mais imediatas, sem qualquer posicionamento crítico em relação ao todo que o cerca e, uma vez empanzinado, busca devastar novos sítios. Um indivíduo, um povo ou uma cidade elegante, bela e rica longe de se encaixar na vitrine de plástico e predarias, enaltecidas na famigerada reportagem, cumpre antes os requisitos que bem foram destacados em tua mensagem e por esses zela. Parabéns!

    • Olá, Helman, obrigado pela gentileza de sua resposta. Você disse bem: a submissão ao descartável é uma lástima. E outra: Sou manezinho e acho positiva, benéfica a chegada de cidadãos de outras regiões do país para morar aqui. Isto nos traz um vento de idéias novas, de diversidade, de modernidade. Que venham, por que o País, os Estados e as Cidades pertencem a todos. Quando eu ressaltei a minha condição de nativo não foi, absolutamente, para rechaçar os “de fora”, mesmo porque já morei por períodos longos em outras cidades do Brasil, onde sempre fui muito bem recebido. Foi apenas para assinalar meu apreço pelo meu chão de nascença. Quanto à cidade em si e seus aspectos, penso que qualquer cidade, sendo ou não turística, precisa ser cuidada onde se vê (aspecto externo) e onde não se vê (saneamento e serviços). Precisa, ao lado disso, ser humana e ter vida de verdade, não pode ser um “presépio” ou uma cena congelada de cartão postal. Cuidemos, pois, para hoje e para o futuro, para os nossos descendentes, da minha, da sua, da nossa Florianópolis.

  3. tpr said

    Essa Floripa dos sonhos só existe na reportagem. As filas no transito, criminalidade e fora a galera que parcela a fatura do cartão para manter a pose nas festas da cidade;

    • Sim,você está com a razão. Queremos uma cidade real, de cidadãos com noção da realidade. Acho que sempre existirão pessoas de todas as classes sociais. O mundo é assim. Mas, mesmo os menos favorecidos economicamente precisam ter uma vida digna. Não adianta nada um bairro “dos sonhos”, como você bem escreveu. Se você tiver um tempinho, dê uma olhada aqui no blog, na página do Início, o item “Florianópolis Classe Média Exigente”. Acredito que é isso que temos que almejar: a grande maioria da população pertencendo à classe média. Muito grato pelo seu comentário.

  4. ana silva said

    Tenho pena desta mulher, coitada pensa que um dia não vai morrer…….hahahahahahahahahahhahahha……..

    • Realmente ela não poderia ter usado os termos que usou com relação à cidade e às pessoas. Eu acho que todos são bem vindos aqui na nossa Florianópolis, seja para passear, seja para morar e trabalhar. Acho que todos tem o direito de escolher onde querem viver. As pessoas de fora trazem idéias novas para a cidade. Nós aprendemos com eles e eles aprendem conosco. Mas todos devem ser tratados com respeito e educação. Agradeço seu comentário aqui no blog

  5. ana silva said

    Já a vi na tv é uma medonha, coitada se acha mas é um tribufu………….hahahahahahhah

  6. Rogério Gonçalves said

    Caro Manezinho,

    Há dez anos atrás minha empresa me transferiu para Floripa. Num final de semana fui conhecer o tal Jurerê muito famoso!

    Bati diversas fotos para mostrar à familia que continuava residindo no interior mas à medida que eu me deslocava e fotografava, um pensamento começou a tomar conta de mim:

    “Só vejo casas, carrões mas não vejo pessoas…Casas com muitas varandas como se elas fossem imprescindíveis às pessoas…mas nenhuma havia por lá!
    As varandas de uma casa mais pareciam disputar beleza com as varandas das casas próximas. Parece um mundo apático e frio…”!

    Saí de lá frustrado, com um sentimento de vazio imenso, com a falta da expontaneidade, de calor humano, enfim…tentei aqui expressar o que contei à minha esposa no meu retorno.

    Hoje me deparo com notícias que me troxeram até este site.
    Chego à triste conclusão que Jurerê sem ninguém me fizeram sentir os mais profundos e sinceros sentimos humanos, os melhores que vivem em nossos corações!
    O artigo do “O Globo” mexeram com a minha úlcera…

    Parabéns pela elegância ao escrever o artigo, mesmo sabendo da frieza dos corações de pedra…

    Sds.
    Rogério

    • Rogério, você acertou, você percebeu exatamente o que é Jurerê: o templo da frieza, uma homenagem arrematada ao artificialismo: bonito, asséptico e sem vida. Parece um centro cirúrgico, onde, por acaso, plantaram algumas árvores e algumas flores. Com o passar dos anos, vai acabar resvalando para o brega, concorda? Os bairros, as cidades, os lugares, as casas tem que ser feitas para pessoas. A gente tem que olhar os lugares e pensar, e sentir: Aqui tem gente morando. Mas não é isso o que acontece quando se visita Jurerê, como você bem sentiu. Ainda bem que isto não contaminou os demais lugares de Florianópolis, os demais bairros, ainda tão encantadores. O nosso empenho é multiplicar o encanto, enquanto é tempo, e ainda há tempo. Ainda bem que acordamos. Grato pela seu comentário.

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