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Nunca na história a xenofobia resolveu alguma coisa
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Marcelo Eichstädt Nogueira
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Em primeiro lugar, acho que todo mundo tem que se respeitar e respeitar a opinião alheia. É assim que se faz (ou deveria) na democracia.
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Infelizmente, a postura xenofóbica não permite isso. Sugiro, então se que assuma efetivamente a postura e receba os benefícios e as mazelas geradas por ela. E já adianto: nunca na história a xenofobia resolveu alguma coisa. Um exemplo: se não queres ninguém na tua terra (que não é tua, de fato) não podes se permitir sair dela também… nunca! Nem que seja a passeio, estudo ou saúde. Deves agir como um “sinhozinho”, pegar tua garrucha e sentar na porteira pra espantar os outros (sei que é um tanto caricato, mas ao pé da letra, historicamente, é isso). Aqui vale observar que, como uma outra amiga falou, essas terras (toda a encosta da serra geral) eram dos índios Xocleng que foram dizimados pelos europeus (alemães e italianos) na virada do século XIX/XX. Aí cabe considerar a postura xenofóbica também e se responsabilizar por essa dizimação, pois xenofobia não abre exceção.
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Por outro lado, um ponto importante é a questão do regionalismo do migrante: um ponto negativo é quando um migrante se muda para uma nova terra e continua dizendo que a terra natal é a melhor. Como dizemos aqui…”então por quê não volta pra tua terra???”. Sei bem que isso incomoda.
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Quando assume-se a mudança para outro lugar, tem se que assumir de fato a mudança e fazer de tudo para transformar a nova casa num lugar melhor. E a isto damos o nome de cidadania.
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Agora, estamos falando de uma capital de Estado e é um tanto limitado pensar de forma xenofóbica, ainda mais no século XXI. Será que não é exatamente por isso que a cidade está como está?  Aquele preconceito e conseqüente boicote velado que prega o “quanto pior, melhor”?
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O negócio é ter gente que queira estar aqui (nascidos aqui ou migrantes) dispostas a melhorá-la. E há de se ter claro que tanto gente da terra quanto fora dela podem destruí-la. O que difere é a postura de cada um em relação ao espaço onde vive. Quando uma cidade está completamente desorganizada e sem suporte adequado do poder público vê-se pensamentos como esse, excludentes. E tenha claro que isto se repete aqui, Porto Alegre, São Paulo, Nova York, Flórida, Hawaii, Sidney, Paris…
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Uma pergunta simples: o que você (isto serve para todos) faz pela tua cidade para que fique melhor? Esse tipo de discussão é típica de cidades com problemas básicos de urbanização em que o poder público não implementou nenhuma política adequada de planejamento urbano para absorver adequadamente à demanda crescente. Isto pode ser identificado em absolutamente todas as cidades da orla brasileira. O absurdo aqui é que é tudo extremamente recente (década de 90) e nenhum dos governos de lá pra cá se preocupou em olhar para os vizinhos e aprender com os erros. A mesma ocupação errônea da cidade pode ser vista na periferia de Porto Alegre, São Paulo, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Ilhéus, Salvador, Recife, e por aí vai…
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Fica a pergunta: será que se tudo ta tão ruim assim e pouco se faz, não tem, em algum lugar, alguém lucrando com isso?


Publicado em 29.10.2012, às 18:oo h no
https://www.facebook.com/BeverlyHillsCatarinense

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