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Lore Massaro Marcussi, uma paulista, escreve para Marraiana Perez

Carta a senhora Marraiana Perez

Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar bem claro que não a conheço, assim como nem mesmo faço questão de conhecê-la. Sem querer faltar com respeito, mas precisando falar aquilo que está engasgado há dias, venho publicamente manifestar a minha opinião sobre Floripa, uma vez que você já deu a sua.
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Sinto-me envergonhada de ser paulista muitas vezes, por encontrar pelo caminho pessoas como você, com um pensamento que jamais seria condizente com o dos meus demais conterrâneos.
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Pensa a senhora que ser feliz é ter lugares finos e caros para frequentar. Mas sabe-se que o paulista, onde pode se englobar o paulistano e tantos outros que nasceram naquele estado ou foram para ele em busca de melhorias não vive só de branco e dourado. Muitos, até mais abastados que a senhora, nem se importam com o glamour que uma cidade tão caótica como São Paulo oferece. Aliás, espanta-me você, saída de uma cidade multicultural, ter a mentalidade tão provinciana, à qual eu nem poderia usar o mesmo comparativo que você usou e chamar de pensamento interiorano, até porque no interior as coisas são bem diferentes do que você pensa.
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Aliás, foi exatamente você chamar Floripa de interior que me chamou atenção. Somente uma pessoa com a cabeça limitada, talvez por causa da febre branca e dourada, é que pode considerar um interior pobre. Falo com orgulho do meu interior paulista (se foi a ele que se referiu quando fez esse comparativo), de onde se destacam inúmeras cidades, pela diversidade de cultura e riquezas. Mas não são locais e posses não, são riquezas de caráter, de paz, de conduta.
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Talvez morar no interior possa ser pobrinho para você, mas para aqueles que têm o desejo de simplesmente ser feliz, o interior é o lugar mais rico do mundo. Lá não precisamos de Fasanos para encontrar amigos, lá não precisamos de dourado para brilhar. Precisamos é da simplicidade e da paz de espírito que todos têm uns com os outros, até mesmo nas cidades maiores e de destaque.
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Quando há 8 anos fiz o mesmo caminho que você, saindo do interior para residir em Florianópolis, o que mais me agradou foi justamente numa capital encontrar a mesma paz que tinha no interior, fato que me fez não sentir tanta falta de casa.
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Penso mais, penso que se o fato de achar que o lugar não lhe agrada por não ter tantos atributos como você deseja, deveria ser para você refletir sobre quem está no lugar errado: se as lojas pobrinhas ou a senhora que caiu num lugar que não lhe pertence. Sabe aquela velha frase: os incomodados que se mudem?  Pois bem…acho que já passou da sua hora.

Vou ficando por aqui, com o desejo de que os anos passem logo e Floripa possa continuar sem esse glamour todo que desejas, para que assim eu possa retornar a terra que escolhi para ser meu segundo lar, livre e longe de pessoas como você!
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Assinado: uma “manezinha” de coração, que não vê a hora de voltar a morar em Floripa.

Carta publicada em 25.10.2012, as 15:07 h no:
https://www.facebook.com/BeverlyHillsCatarinense

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