.

Xenofobia – seria engraçado se não fosse trágico

Helman Telles

Seria engraçado se não fosse trágico este tipo de discurso xenófobo, bairrista, culturalmente fechado, atropelando a lógica, permeado de falsas premissas, com conclusões paradoxais. Acusações irresponsáveis, generalistas e contraditórias. Para começar, aqueles que merecem ser chamados de nativos são tão somente os índios carijós, que antes aqui viviam e foram, mais do que expulsos, dizimados pelos portugueses – a primeira horda de invasores. Outras ondas de “forasteiros” lhes sucederam, para o bem e para o mal. A crença na “manezice imaculada” é tal digna de consideração quanto a crença em Coelhos da Páscoa, Fada do Dente, Papai Noel e congêneres.

·
Toda cultura guarda aspectos positivos e negativos e se “enriquece” ou “empobrece” no tempo, uma vez que não nasce pronta. A cultura nacional, como um todo guarda traços do colonialismo e ditadura (onde se insere a cultura local).  sso implica em falta de zelo ao que se herdou (colonialismo) e intolerância aos que divergem ou diferentes (autoritarismo/ditadura). É o tal caso da simplória afirmação: “Gaúcho, Paulista e outros que se mudaram para cá não acrescentam em NADA!” Gostaria de saber se o sujeito, que não mediu esforços para vociferar essa “pérola” do universo de possibilidades analíticas, repetiria a garbosa conclusão diante do cardiologista paulista, do neuro-cirurgião gaúcho, do oncologista argentino, do traumatologista buco-maxilo facial carioca, do doador de sangue paranaense, etc, diante da própria necessidade ou de um familiar. Gostaria muito de saber se ele permitiria que seus filhos tivessem aulas com professores de outras cidades catarinenses, outros estados e mesmo países. “Cuspir à cara dos outros” tais frasezinhas de ocasião, com o único intuito de se promover, como ”puro” e “correto” a partir da exclusão do “diferente” não inspira e nem merece respeito.
·
Não se pode respeitar a opinião de um nazista, um estuprador, um racista ou um xenófabo. Antes, é um dever dela discordar e a ela se opor. O respeito à pessoa é uma coisa, o respeito à opinião e/ou atos é outra coisa.
Sou austero defensor da liberdade de opinião. Faço minhas as palavras de Voltaire a Rousseau: “não concordo com tudo que dizes, mas defendo que digas tudo o que pensas”. Contudo, sou um defensor, ainda mais severo, de que as pessoas devem se responsabilizar e ser responsabilizadas pelo aquilo que dizem ou fazem.
·
Que bem se frise que nascer aqui, em Zurich, em Beverly Hills, em Nairobi, em Cabul ou o que seja é acidente. Não é o clima nem a geografia local que moldam o caráter de uma pessoa. Este se inicia na criação familiar e depois deve ser lapidado pelo próprio sujeito. Fronteiras são apenas criações artificiais dos bípedes implumes. Não há um destes que sem placas indicativas consiga saber quando passou de Santa Catarina para o Paraná ou do Brasil para o Uruguai. “Voltar para casa”, por voltar para a casa, deveriam todos que se intitulam brasileiros voltar a Portugal, Itália, Polônia, Alemanha, Espanha, França, Holanda, África (estes forçados e escravizados), etc, deixando esta terra somente aos índios.
·
Quem sugere está preparado para isso? Eis aqui o grande paradoxo! É o que dá o uso de uma falsa premissa: uma argumentação fraca e uma conclusão falaciosa. A “defesa” não será uma tréplica contestando argumentos, mas sim a pessoa que, no caso, replica.
·
Se nem todo “manezinho” coopera com a cidade, igualmente nem todo o “forasteiro” a destrói. Uma coisa é se falar de “ocupação desordenada”, outra é atribuir os efeitos deletérios da mesma a um conjunto étnico ou de imigrantes. Portanto, as responsabilidades são mutuamente divididas e a inclusão de “bodes expiatórios” ao problema é uma atitude emocional e cognitivamente imatura.
·
Assim, a questão não passa por “estrangeirismos”, ela se refere tão somente a pessoas ou pior: a determinados grupos de indivíduos que tem o poder de gestão sobre este território quer por usurpação (conglomerados empresariais) quer por outorga (políticos).
·
Gestão inclui educar, prevenir, ordenar, entre outros verbos, mas parece que o único conjugado é enriquecer. Logo, se existe alguém a se culpar pela “invasão” de “forasteiros” são estes grupos e os últimos, antes de serem “vilões”, estão mais para vítimas de um engodo: “Ilha da Magia”, “Bervery Hills”, etc…
·
De resto, compreendo o desespero: se colocássemos 05 ratos em uma caixa com um tamanho “x” (compatível) digamos que eles teriam um comportamento sociável. Mas, se acrescentássemos à mesma caixa mais uns 20 ratos, eles se tornariam agressivos entre si. Tal comportamento talvez deva-se a uma tal de “lei da sobrevivência”. Evidentemente, “Ilha tem limite”…


Pubicado em 29.10.2012, às 05:20 hs no

https://www.facebook.com/BeverlyHillsCatarinense

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: