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Floripa Hills
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Antonio Rossa
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É claro que eu sou a favor do crescimento, que Florianópolis conjugue real evolução, educação de ponta, tecnologia, saúde, cultura, construção civil, etc. Aliás, Florianópolis tem perdido ano após ano a imensa possibilidade de ser uma cidade modelo para o Brasil e para o Mundo. Ainda hoje se vende uma ideia, um sonho, mas não a realidade da cidade.
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Tratar a capital catarinense como qualquer outra cidade é negar a sua condição de ilha, e os prejuízos desse míope tratamento já são visíveis e sentidos há décadas, e piora dia após dia.
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Temos, como se sabe, uma da piores mobilidades urbanas do mundo. O efeito negativo desse fato é imenso, pois num simples automóvel parado por mais tempo do que o previsto já temos questões sérias de saúde, de meio-ambiente, de estrutura, de segurança e isso tudo soma uma gasto enorme, que a população paga direta e indiretamente. É um dinheiro que poderia estar sendo investido na educação, na saúde, na infra-estrutura, na segurança, porém está sendo jogado no lixo por uma idéia falha de uma cidade que não é. Florianópolis não é São Paulo, não é Rio de Janeiro, não é Saint Tropez, nem Beverly Hills. Tentam vender o cérebro de um e o corpo do outro. Isso é mentira.

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Florianópolis é Florianópolis, e sua cultura, seu jeito, sua vegetação, sua gente necessitam ser preservados. E preservação não é se fechar para o mundo, pelo contrário, é estabelecer normas de convivência, de tolerância, de união de forças, e não “apartheids” como podemos presenciar por aí. A ilha está sendo usurpada, e, como toda usurpação, passado o período de prazer, larga-se o objeto e se vai atrás de outro.

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Florianópolis não pode ser “relação casual”, precisamos de um relacionamento sério, de políticas públicas duradouras e supra-partidárias, de um plano diretor claro e visível, de um jeito particular de viver e administrar essa cidade, tão particular quanto ela é.
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Estamos em declínio e assim acabarão vendendo a cidade a preços módicos, pois os preços são caros para quem vive aqui, para um estrangeiro continua uma bagatela. O Ilhéu está vendendo seu amplo terreno para morar num quarto e sala, um quase regime “semi-aberto”.

Claro que precisamos da construção civil, do transporte marítimo, de marinas, de uma série de outras coisas, mas isso precisa ser responsável e ter amplitude social.
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As elites financeiras precisam abrir um pequeno espaço para as elites intelectuais, caso contrário tudo acabará em tons de branco e dourado.

Hoje Florianópolis caminha para um não-sei-onde, infelizmente.                                                             ·

Antonio Rossa  –  http://www.facebook.com/antoniorossa?fref=ts

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Texto originalmente veiculado em: http://www.facebook.com/BeverlyHillsCatarinense

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